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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Arquitetura x Engenharia

Publicado em 03/02/2018 sem comentários Comente!

Arquitetura x Engenharia

Arquitetura x Engenharia

 

Propriamente falando de datas a arquitetura é bem antiga. Há mais de quatro mil anos antes de Cristo já se tinha relato no Egito desse profissional (Imhotep, o primeiro arquiteto conhecido), de lá pra cá a arquitetura imprime a sua marca em cada época e local com técnicas e conceitos estudados até hoje, tais como os legados da Grécia e de Roma; aliás, fazendo justiça, é dito que os romanos eram mais engenheiros e os gregos mais arquitetos, visto o salto no aspecto construtivo e de estruturas dos romanos.

Por si, passamos a ouvir falar mais de engenharia na era da revolução industrial. Um vazio deixado pelos arquitetos teve a lacuna preenchida pela engenharia. Nesta época, o aço teve um papel primordial para o avance da engenharia. Os arquitetos, todavia torciam o nariz para essa nova forma de construção, perdendo então o seu espaço. As estruturas de aço, mais leves, mais esbeltas e com grande resistência davam lugar para o academicismo da arquitetura.

Ambas profissões começaram a ser regulamentadas no final do século XVIII, nesse aspecto se criava os parâmetros de ensino de cada uma delas.

 

ENSINO DA ARQUITETURA E URBANISMO E DA ENGENHARIA CIVIL

 

Atualmente, ambas profissões de ensino superior tem suas atribuições definidas pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura), que define as disciplinas, quantidades de horas mínimas que cada uma deve ter para certificação dos estudantes.

Para aqueles que irão ingressar uma ou outra faculdade existem alguns receios e dúvidas. Na hora da escolha, algumas pessoas optam por arquitetura e urbanismo por ter medo da temida matemática; tão presente na engenharia civil (uma vez soube que cursar engenharia civil, habilitaria o graduado a dar aulas de matemática). Vendo alguns vídeos, a turma a engenharia relata que de fato as matérias iniciais de cálculo muitas vezes acabam por fazer a triagem daqueles que seguem e desistem; mas também há aqueles que relatam que apesar das dificuldades, buscaram aulas particulares, Youtube e conseguiram superar os obstáculos.

Eu posso dizer que temia a matemática na arquitetura. De fato eu e alguns amigos fazíamos aulas particulares, mutirões para um ensinar ao outro; mas não há nada exorbitante da matemática na arquitetura. Mas a matemática está presente em tudo, mas dá pra tirar de letra, uma vez que se aplica a coisas que utilizamos no cotidiano, é um bocado diferente vê-la aplicada de modo profissional do que de fórmulas com “x” ou “y”.

Independente da profissão escolhida, cada uma delas tem suas próprias dificuldades, e isso é perfeitamente normal.

A arquitetura e o urbanismo exigem muito fora de sala, horas afinco, madrugadas acordado. Mas para tentar galgar algo que você tanto quer ter que ter o esforço.

Ainda falando sobre a arquitetura e o urbanismo (muitas vezes retratamos apenas como arquitetura, ou até mesmo como Design) o urbanismo é um conteúdo que não é dissociado da arquitetura no Brasil, elas coexistem uma vez que o planejamento urbano implica na forma como as pessoas moram, trabalham e a arquitetura também impacta em questões urbanas, como os deslocamentos, por exemplo.

O mais comum, simplificando o modo de ver, é dizer que a arquitetura e o urbanismo estão mais voltados para o espaço, para o planejamento, para a forma e para o conforto.

A engenharia civil, também de maneira simplificada é uma profissão que trata de grandes estruturas – portos, aeroportos, barragens e claro, da construção civil.

Se você pretende cursar uma ou outra e está em dúvida, vale a pena entrar no site das faculdades, conhecer as disciplinas, fazer uma visita ao local, conhecer profissionais que trabalham nas áreas.

 

A POLÊMICA

Existe algo que é chamado de linha de sombra, que são matérias que são compartilhadas por ambas profissões na universidade. As vezes com mais enfoque em uma do que em outra profissão. Por exemplo, ambas profissões estudam disciplinas de instalações elétricas e hidráulicas; tanto a engenharia quanto a arquitetura tem disciplinas ligadas a estrutura e concreto.

Mas afinal, que polêmica é essa?

Bom, por ter várias disciplinas interelacionadas, é fácil que uma profissão possa interferir uma na outra. Mas por que isso acontece? Não existe regulamentação? Como ficam os clientes?

Há alguns anos o CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) lançou uma resolução (Resolução 51), que define atribuições privativas da arquitetura e urbanismo, e, dentre esses atributos que só arquitetos podem ser responsáveis pela elaboração de projetos arquitetônicos. A resolução se baseou em um documento normativo de 2004, quando na época a arquitetura tinha o mesmo conselho que a engenharia, onde já atribuia aos arquitetos essa incumbência.

Tal resolução não foi aceita pelo CREA (Conselho de Engenharia e Agronomia), que alega que a lei de 1944 permite que engenheiros elaborem projetos.

Fato é que existe a Lei, entretanto ela é genérica, pois fala apenas em projetos; contudo, existe uma vasta gama de tipos de projetos – projetos de arquitetura, de estruturas, de paisagismo, de instalações elétricas, hidráulicas, entre outros, e, ainda dentro desses existem outras subcategorias.

Por que então o CAU diz que apenas arquitetos e urbanistas podem fazer projetos arquitetônicos?

Durante o tempo de estudos na faculdade, é muito diferente o tempo de disciplina especificas de projeto arquitetônico em cada uma das profissões. Enquanto na formação de arquitetos e urbanistas os 10 semestres contemplam disciplinas de projeto arquitetônico, na formação de engenheiros civis isso é visto em duas disciplinas, em um ou dois semestres.

Mas isso não é suficiente para realização de projetos arquitetônicos? Não! Um projeto arquitetônico vai além apenas da representação gráfica, do desenho e da aprovação na prefeitura. A utilização dos espaços, o dimensionamento, a beleza e o conforto são primados na arquitetura.

O que está definido? O que acontece por enquanto? Neste momento, ambos conselhos estão cumprindo a decisão judicial que definiu que se deveria chegar a um senso comum. Algumas prefeituras acataram a resolução 51 e aceitam apenas a apresentação de projetos arquitetônicos elaborados por arquitetos, outras tantas, creio que  maior parte,  ainda aceitam de ambos profissionais como autores do projeto de arquitetura.

OPINIÃO

Retaliando a resolução 51, o CREA colocou em seu site na autarquia do Espírito Santo que só engenheiros civis eram responsáveis pela elaboração por projetos arquitetônicos, e não apenas isso, também projetos de paisagismo, de interiores, por decisão judicial o conteúdo já foi retirado.

O intuíto dessa matéria não é fomentar rusgas; precisamos unir esforços e oferecer o melhor para os clientes, sempre.

Acredito que o certo que deveria se chegar é que os projetos de arquitetura devam ficar apenas ao cargo de arquitetos, por todas as razões já expostas.

Simplesmente não falo isso por ser arquiteto, mas por realmente acreditar que o conjunto da obra nos possibilita a realizar projetos de arquitetura. Se alguém tem uma percepção diferente, ok! Se quiser compartilhar a sua opinião, também fique à vontade.

Nesse caso os engenheiros ficam em desvantagem? Não creio! Por que afinal, existem outros projetos que podem ser elaborados por engenheiros. Projetos estruturais, projetos de instalações, não apenas isso, também obras como pontes, viadutos, portos, aeroportos, barragens, casas, hospitais, hotéis, enfim, uma série de coisas, dentre essas séries de coisas, algumas são específicas da engenharia.

Infelizmente, para o infortúnio de arquitetos que trabalham dentro da concepção daquilo que a faculdade lhes formou, existem profissionais da engenharia e também da arquitetura que são chamados de canetinhas, seja por que recebem “projetos” elaborados por terceiros, que muitas vezes sequer são arquitetos ou engenheiros e por algum valor acertado assumem a autoria do projeto ao assiná-lo. Isso acaba por criar um mercado em que são perdidos os valores essenciais da arquitetura; os preços praticados são aviltantes; acaba por criar um ambiente hostil para os que trabalham corretamente.

 

CAMINHO DO PARCERIA

O caminho mais seguro a ser adotado e seguido é o caminho da parceria, esse é o melhor caminho, tanto para os profissionais, tanto quanto para os clientes.

Esse diálogo já existe, especialmente se tratando de obras de maior porte. O conhecimento profissional de ambos se complementa, e o resultado alcançado é o desempenho da construção, conforme foi concebida para ser, além de gerar de promover economia durante e após a obra; segurança, beleza e conforto.

Ainda há um grande caminho por percorrer. Boa parte do que é ideal, ainda é ditado pelos empreiteiros, que muitas vezes colocam de lado arquitetos e engenheiros prezando pela economia, o que é na verdade um grande engano, uma vez que os gastos podem aumentar em até 30% sem o auxílio destes.

Teria tantas outras coisas por escrever dessas duas fascinantes profissões. De tudo, fica aqui o meu desejo que ambas as profissões, que são fundamentais para o Brasil tenham o devido reconhecimento e valorização.

 

Essa semana, mais especificamente dia 04/02, sopram as velinhas a arquiteta e urbanista Grasiela Mancini e o arquiteto Lucas Coutinho! Parabéns pelo aniversário e muitas felicidades!

O também aquariano, que faria aniversário dia 03/02 era Alvar Aalto.

 

A todos uma ótima semana! Vocês já sabem: dúvidas, críticas, elogios ou sugestões, envie um e-mail para contato.dimensaoarquitetura@gmail.com.

Até a próxima semana.

 

Dimensão Arquitetura

Por Luis Paulo Guimarães

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