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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Parabéns arquitetos e arquitetas e urbanistas que projetam e ajudam a construir um país melhor.

Publicado em 15/12/2017 sem comentários Comente!

Divulgação da campanha do CAU pelo dia dos arquitetos e urbanistas - 5 razões para contratar um arquiteto - CAU/BR

Divulgação da campanha do CAU pelo dia dos arquitetos e urbanistas - 5 razões para contratar um arquiteto - CAU/BR

Se você também carrega o título de arquiteto(a) e urbanista, igual a mim, parabéns pelo seu dia! Sendo um tanto quanto clichê, não há um dia do arquiteto e urbanista, senão, todos os dias são dia do arquiteto e urbanista Maurício, da arquiteta e urbanista Renata, da Taísa, do Pedro,de você e de mim.

Sobretudo, mais do que um título profissional carregamos uma  história, um legado, e a bandeira de levar a arquitetura e o urbanismo não apenas para as classes mais abastadas, como um dos tantos mitos dessa profissão possa causar a impressão.

Sou “recém-arquiteto”, há exatos 364 dias defendi minha monografia na banca da faculdade, com êxito, muita alegria, e aquele filme inevitável dos cinco anos da estrada. Colei grau há 8 meses. E desde então me equilibro nesta crise que assola o Brasil e especialmente meu Estado, Rio de Janeiro e mais precisamente a Capital Nacional do Petróleo, Macaé.

A escolha consciente da profissão foi acontecendo aos poucos. Até os 17 anos tinha muito claro que queria ser piloto de avião. Dos pré-requisitos na época para cursar ciências aeronáuticas o único que tinha era saber falar inglês (que aprendi na marra, de forma autodidata). Tinha a facilidade de morar no Rio Grande do Sul, e até uma certa época a agora falida VARIG (Viação Aérea Rio Grandense) em parceria com uma universidade ofereciam o curso universitário, e era a única no Brasil (segundo algumas publicações locais). Por fim, outras condicionantes como o pré-requisito de um número grande de horas de voo e o custo de cada hora foram deixando mais caro e distante o sonho de ser piloto de avião.

Ainda aos 17 anos comecei a ver outras possibilidades. Fazendo um trabalho no último ano do ensino médio, se não me engano de história da arte, tive a oportunidade de procurar na enciclopédia (livro, nada de Google, internet) o vocábulo arquitetura, e essa pesquisa, a história e as imagens mexeram um bocado comigo. Coincidência ou não também pesquisava sobre minha cidade natal, Rio de Janeiro. Nasci no Rio, entretanto, desde muito cedo vivi em outras cidades, e nem tinha lembranças do Rio. Buscando essa identidade comecei a pesquisar sobre a cidade, sobre a evolução urbana, as transformações ocorridas e isso também mexia comigo.

Até então não entendia o que era arquitetura e urbanismo. Ou talvez tinha a visão do que vários leigos tem.

Gostava também muito de geografia, do estudo das populações, dos termos de urbanização, conurbação, megalópole.

No final de 2001 terminei o ensino médio; decidi vir morar no Rio de Janeiro com meu pai e minha madrasta. Fiz alguns testes vocacionais nas revistas e na internet e geralmente apontava para a área da arquitetura e urbanismo.

Resolvi enviar e-mail para alguns para alguns contatos de arquitetos e arquitetas que encontrei nas páginas amarelas lá do Rio, mandei pouco mais de 20 e-mails e não mais que dois arquitetos me responderam.

Um dos e-mails, bem sincero que recebi foi da arquiteta Heliana, ela dizia que tinha idade para ser minha mãe e ficava contente pela pergunta e busca. Infelizmente não tenho mais este e-mail, nem a versão impressa que tinha. A Heliana falava das dificuldades de trabalhar como autônomo, colocava que a construção civil experimenta altos e baixos, e que a quantidade de encargos é absurda, que poderia ser mais lucrativo ser camelô. Por fim, ela disse que cursou arquitetura por vocação e ainda disse: “O que é essencial é que você curta o prazer de sua criação, como eu curto; que você possa viajar na sua mente, como eu viajo, sem precisar de drogas pra isso; que você vibre quando materializa quando o que colocou no papel, como eu vibro. Cada projeto é um jogo, uma obra de arte, uma curtição como poucas...”, eram mais ou menos essas palavras, e isso me aproximava cada vez mais da arquitetura e urbanismo.

 

Hora de escolher a profissão para o vestibular. Na UFRJ a escolha era arquitetura e urbanismo, e o primeiro desafio estava no THE – Teste de Habilidade Específica, prova eliminatória antes do vestibular que é aplicado para o curso de arquitetura e alguns outros cursos. Fui muito confiante para esse teste, mas a vaca começou a ir pro brejo assim que levantei para entregar minhas folhas com as tarefas propostas; aquela rápida olhada para o lado para ver o trabalho dos coleguinhas e a sensação de “me vê um buraco para eu enfiar a minha cabeça”.

Fiz curso de desenho (ao menos um tempo), melhorei um bocado, mas não tentei mais a UFRJ; alguns empecilhos a parte, a tentativa de cursar Direito na UERJ (que só seis anos depois descobri que havia passado, tanto era meu interesse em cursar Direito).

Nessa altura do campeonato já estava morando aqui no interior. Na impossibilidade de cursar arquitetura em Macaé (cheguei a organizar abaixo assinado para tentar aventar a possibilidade de comover alguém a trazer arquitetura para cá) fiz o curso técnico de edificações.

Confesso que algumas coisas passaram a ter outro sentido quando fiz o curso de arquitetura, e hoje faço questão de defender esses valores e fazer valer os anos de estudo na faculdade.

Eu achava que era possível alguém fazer um “desenho”, apresentar a algum arquiteto e ele dar o aval, assinar. Não me passava pela cabeça o tanto de restrições de um código de obras, do zoneamento das cidades. Tampouco tinha a percepção de conforto térmico, acústico, lumínico.

Já  escrevi isso antes, e torno a escrever, na verdade é um apelo mesmo. Arquitetos e arquitetas, não abram mão daquilo que qualifica nossa profissão para tal, que distingue do mero desenho. Coloquemos e demonstremos aos clientes o por que de uma parede dobrada, da janela orientada para um lado e não para outro, e por ai vai. Isso vai aos poucos tornando diferente a percepção das pessoas que elas não pagam mais caro, na verdade elas investem; não é retórica, eu acredito nisso.

Também não entendia por que não poderia ter reserva técnica (RT), achava que se o cliente estivesse ciente não teria problemas. Mas, reguardando a isenção daquilo que está sendo indicado e especificado, a prática deve ser realmente coibida.

Me formei no olho do furação de uma crise política e econômica no Brasil. Não acho que o furação tenha passado, mas talvez estejamos mais próximos de uma tempestade tropical. Voltando aos altos e baixos lembrados lá em 2003 no e-mail da Heliana, esse período é bem baixo, mas, acho que toda ação tem uma reação, então do que está bem baixo pode estar em alta logo mais.

Eu não me arrependo de ter escolhido fazer arquitetura, muito pelo contrário. É uma profissão que me enche de orgulho pelo fato de saber que as condições da edificação podem melhorar o bem-estar, a saúde das pessoas. Certa vez li sobre umas casas que não tinham emboço e ainda assim estavam recebendo pintura diretamente nos tijolos, se não me engano na favela da Rocinha, no Rio e isso estava diminuindo a quantidade de pessoas com tuberculose por diminuir a umidade, isso é estudo, planejamento, é arquitetura.

Outra coisa que me motiva na arquitetura e no urbanismo é a necessidade de estar sempre estudando, se atualizando. São novos programas para fazer projetos, são novas tecnologias de construção; então, se você não se atualiza o mercado vai colocando você lá pra baixo.

Gosto muito da área de urbanismo. Não sei se em algum outro país que tem arquitetura se estuda urbanismo conjuntamente; sei dos países em que se estuda um ou outro como cursos distintos, entretanto, não é difícil entender por que a arquitetura e o urbanismo caminham juntos. O impacto de uma construção na cidade. A área mais adensada, as formas de ir e vir. Em 2018 quero me aproximar mais do meu sonho de um dia poder dar aula de alguma cadeira relacionada ao urbanismo. Quero fazer pós graduação no campo de urbanismo.

Quero poder dar aula (não apenas isso), entre outras coisas pelo fato de estar cercado de pessoas mais jovens, que vão estar antenadas com o frescor, com novidades, ao mesmo tempo que também vou ter a oportunidade de passar para frente o que eu tiver aprendido, assim como os professores fizeram por mim e por meus colegas.

Nem tudo são flores, vejo de alguns colegas com mais tempo de jornada algumas coisas que colocam uma pulga atrás da orelha. Seja aqueles que não seguiram a profissão e se arrependeram de cursar arquitetura, seja daqueles que veem que o conselho de arquitetura e urbanismo não seria atuante como deveria ser, dos que dizem que há faculdades de arquitetura e urbanismo em cada esquina e que a formação está cada vez mais frouxa.

De certa forma vejo certa razão nos fundamentos, mas as vezes acho algumas coisas exacerbadas.

Eu teria muito mais coisas para falar sobre a arquitetura e urbanismo na minha vida, e como vejo as coisas ao redor, mas já estou me estendendo muito. Deixo aqui meu abraço a todos os profissionais da área. Acho que uma grande coisa intrínseca da profissão é a capacidade de sonhar. O sonho alimenta a esperança e a esperança é o combustível para que possamos valer aquilo que batalhamos para alcançar, para nós e para a sociedade. Feliz dia do arquiteto e urbanista!

 

(https://www.youtube.com/watch?v=QeK0ZZUJH20 - campanha do CAU/BR - 5 razões para contratar um arquiteto)

 

 

 

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Por Luis Paulo Guimarães

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