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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Fachadas - Orientações para construir ou reformar

Publicado em 15/11/2017 sem comentários Comente!

Divulgação: Dimensão Arquitetura. Projeto executado no Vale das Palmeiras - Macaé. (Imagem: Arqto Sérgio Roberto)

Divulgação: Dimensão Arquitetura. Projeto executado no Vale das Palmeiras - Macaé. (Imagem: Arqto Sérgio Roberto)

Tudo bom galera? O que significa para você viver de fachada? No ditado, viver de fachada é representar uma situação que não é verdade, é viver de aparências, ser ou pensar uma coisa e mostrar outra coisa. Infelizmente por um motivo ou outro, diversas pessoas ainda vivem de fachada.

Bom, na arquitetura, este é um elemento bastante representativo. Sabe o cartão de visitas? As boas vindas de uma casa ou loja?

Talvez você já tenha se deparado com a situação de antes de entrar em um lugar imaginar que iria adentrar em um lugar “sinistro”, com conotação negativa mesmo. Você olha aquela fachada com janela mirrada, com cores chapadas, sem um quê, ou se preferir um “tchan” e já pensa que lá dentro é igual, as vezes, supresa! Lá dentro é uma belezura.

 

Foto: Divulgação. Blog da Jade Campos. A arquiteta Jade Campos se inspirou no traçado moderno, aproveitando cada linha do terreno. O tijolo, característica da região dá um charme na volumetria da fachada.

Mas aí você vai dizer, poxa vida, eu não tenho direito, fachada é algo complementar, não é prioridade.

Eu te dou algumas respostas. Se você vai começar a construir, um dos itens que compõem o projeto de arquitetura é a fachada. A leitura que o arquiteto ou a arquiteta irá dar ao projeto irá ter consonância com o conjunto denominado identidade visual, conforto, materiais, custos “y otras cositas más”. Tá achando que é fácil? Pois é!

Se eu falar de uma fachada com toras de madeira, cores como laranja, você lembra de uma casa de campo, casa da cidade ou praia? Obviamente, ao se definir uma fachada se pensa em algo mais amplo do que isso, mas é um ponto de partida que vale a pena observar.

A fachada, além de ter a interação com o local onde se encontra, de ser a identidade de uma casa ou loja pode ter mecanismos que ajudam no conforto térmico, acústico, podem ter elementos para captação da água da chuva que abastece cisternas. Aquela máxima – “não é apenas um corpo bonito”.

Aqui vai um puxão de orelha coletivo para, empreiteiros, clientes e arquitetos. Já algum tempo, é um consenso no mundo da construção civil que construtoras, ou empreiteiros exerçam influência no projeto de arquitetura. As vezes uma fachada, dita “mais elaborada” pode ser mais cara, seja pelos materiais que serão empregados, seja talvez pelo tempo que levará para ficar pronta ou ainda pela mão de obra, as vezes específica. Isso pode ser mesmo verdade, entretanto, também é verdade que pagar por uma “exclusividade”, por uma linha própria também agrega valor ao empreendimento. Mas o preço de venda vai ficar mais caro. Não vai ser vendável. Não necessariamente. Muitos projetos saem dos escritórios de arquitetura sem uma identidade própria da arquitetura, apenas para satisfazer o cliente; neste caso, a construtora que contratou o serviço. Fica aquela condicionante, eu contrato os seus serviços, mas você vai usar estes materiais. Aqui o arquiteto se vê refém do “mercado”. O puxão de orelha nos arquitetos vai pela cumplicidade, coninvência ou leniência em abrir mão do seu conhecimento para seguir o que está pré-estabelecido. Infelizmente, se abre mão daí do diferencial daqueles que estudaram arquitetura e urbanismo, afinal, se abre uma brecha para a atuação de pessoas que atuam como desenhistas já que por padrão o desenhista coloca a parede de 12 cm, e muitos arquitetos também, se coloca a janela assim e não assado, e o arquiteto também. Por que então eu vou pagar mais caro para alguém fazer a mesma coisa, certamente passa pela cabeça de muitos.Ao propor uma parede em certo lado da fachada com 30 cm de espessura por exemplo o arquiteto não o fará apenas por vaidade, mas provavelmente por ter observado que as condições climáticas do local, a insolação incidente naquela fachada será minimizada com a adoção dessa prática, ou tantas outras práticas singulares em cada projeto. E o que isso representa na prática. Entre outras coisas economia, afinal, certo período em que a pessoa se veria obrigada a usar ar condicionado, pode dispensa-lo, apesar de ter gasto um pouco mais em um primeiro momento na obra. Cabe ao arquiteto argumentar, buscar alternativas, mostrar estudos para fazer valer a sua ciência. O puxão de orelha no cliente final, digamos assim parte por as vezes não ouvir o arquiteto, por não impor a sua vontade às construtoras ou empreiteiros, ou, quando se trata de um cliente direto, evocar a economia. Geralmente em pouco tempo o investimento feito será recuperado e se reverterá em economia.

 

Foto: Divulgação arquiteto Rossini Barreto. O arquiteto Rossini Barreto trouxe a esta fachada o uso de materiais que criam uma volumetria na fachada. Destaque para o uso da viga metálica aparente e os tijolos aparentes.

Claro, não estou generalizando, tem arquitetos e arquitetos, empreiteiros e empreiteiros, construtoras e construtoras, clientes e clientes.

Algo que já li, que observo e de certa forma me incomoda é a massificação de “soluções arquitetônicas”, a pele de vidro, observada em aqui no Brasil e em tantos outros países parece trazer modernidade, ser sinônimo de elevado status, nada contra a peles de vidro, mas será que fica bom de qualquer maneira em Macaé, em Porto Alegre, em Tóquio? Bom, essas cidades não ficam na mesma latitude, não tem as mesmas condições climáticas, daí já vem um aspecto extranho à aprendizagem da arquitetura, aproveitar e levar em consideração características locais para adotar soluções que se encaixem àquelas situações específicas. Tá, mas não pode usar pele de vidro? Pode! Entretanto, muitas vezes se vê por ai prédios que são um invólucro de vidro, todos os lados por onde se olha e vidro, e obviamente algum dos lados da fachada terá maior incidência solar, lá vamos nós novamente, maior demanda do uso de ar condicionados, maior consumo de energia, mais despesa, e prejuízo ao planeta. Percebeu por que a fachada não é meramente uma “fachada”, um adorno?

Falando em adorno, se os detalhes fazem a diferença, isso também é algo que as vezes deixa a desejar. Ainda que se tenha uma pegada moderna aquela janela não mais emoldurada por um granito, aquela textura adotada parecem ter saído de uma linha de produção.

Deixando as críticas de lado, agora vem o afago e as dicas – mas não vale usar por conta própria, tem que contratar um arquiteto ou uma arquiteta, certo?

Se a grana tá curta, você pode por exemplo ter brises ou um painél feito com pallets; é uma forma de ser uma pessoa ligada às causas do planeta, criar um diferencial e poder fazer aquela economia com o ar condicionado, ou ter um jardim vertical...

Foto: Divulgação arquiteta Camila Mattos. A arquiteta Camila Mattos trouxe para o seu projeto linhas orgânicas. A sinuosidade se inspira nas linhas de Frank Lloyd Wright. Foram usados tons cinzas que remetem à sobriedade. O cimento queimado contrasta com o branco das paredes.

Pra quem gosta de usar vidro, ok! Um arquiteto que não matou as aulas de conforto térmico não sairá utilizando vidro a torto e a direito, ou, ainda que use irá propor recursos de sombreamento como beirais, paineis ripados, e outros.

Algo importante com relação aos vidros é que, como ele tem sido mais adotados, em muros e fachadas, o reflexo tem causado acidentes com pássaros, muitas vezes com mortes dos bichinhos. Não precisa deixar de ter vidro, mas algumas condições podem ser criadas para não confundir os pássaros.

Utilizar os vidros com inclinação entre 20 a 40 graus em direção ao solo, já é suficiente para desviar o reflexo do céu que confunde as aves. Outras possibilidades estão no uso de brises, que são estruturas fixas ou móveis dispostas à frente do vidro, permitindo filtrar a intensidade da luz, sombrear, deixando passar o vento e de quebra evitando que as aves confundam a transparência ou o reflexo do vidro. Outras soluções seriam o uso de vidro jateado, uso de cortinas, vidros com película UV, e outros.

Antes de finalizar, essas orientações não valem apenas para quem vai construir. Quem pensa em reformar, também deve levar em consideração em economias advindas do investimento da remodelação e readequação da fachada. Não bastasse essas economias, quem investe tem como resultado a valorização do imóvel. Conforme publicado na revista ZAP Imóveis, um condomínio formado por três edifícios na Rua da Consolação, em São Paulo, tinha apartamentos a venda por 80 mil reais, e ainda assim não encontrava pessoas que quisessem comprar, depois da reforma os preços de venda passaram para 220 mil e tem gente que compra à vista.

Foto: Divulgação Magdalla Aquino. A arquiteta Magdalla Aquino trouxe para nesse projeto de um jovem casal uma fachada moderna. Os tons em bege suavizam as linhas. A arquiteta criou um belo pergolado e um belo detalhe com arandelas.

Tudo mais é possível para criar fachadas com seu estilo favorito. Adornos de metal, pastilhas cerâmicas, de vidro, cores diferentes, volumetrias diferentes, tudo para que o seu cartão de visitas convide às pessoas, se for loja, ou faça as pessoas virarem os olhos e admirarem. 

Meu agradecimento especial aos colegas e amigos de jornada, arquitetos e urbanistas Jade Campos, Rossini Barreto, Camila Mattos e Magdalla Aquino. Obrigado por cederem o conteúdo que ilustra essa edição. Espero vê-los aqui outra vez.

Aos leitores que desejam conhecer um pouco mais sobre o trabalho desses feras, seguem os contatos:

Arquiteta e Urbanista Jade Campos (Campos dos Goytacazes) - Blog: www.jadecampos.blog.br/. Facebook: https://www.facebook.com/jadearq/

Arquiteto e Urbanista Rossini Barreto (Campos dos Goytacazes) - Facebook: https://www.facebook.com/RossiniArquitetura/. Tel.: (22) 9 9957-4782

Arquiteta e Urbanista Camil Mattos (Campos dos Goytacazes) - E-mail: camilamattosarquitetura@outlook.com. Tel.: (22) 9 9904-4063

Arquiteta e Urbanista Magdalla Aquino (São João da Barra) . Facebook: https://www.facebook.com/magdalla.aquino.arq/. Tel.: 9 9843-0804

Tem dúvidas, sugestões, críticas, enfim, entre em contato por email para contato.dimensaoarquitetura@gmail.com. Deixe seu comentário na página. 

 

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