Macaé News
Cotação
RSS
Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

A importância das calçadas no cotidiano das cidades

Publicado em 23/10/2017 1 comentário Comente!

Trecho da Rodovia Amaral Peixoto próximo ao Praia do Coco - Macaé (foto: autor)

Trecho da Rodovia Amaral Peixoto próximo ao Praia do Coco - Macaé (foto: autor)

  Olá leitores e leitoras da minha coluna. Eu agradeço o carinho de sempre e os comentários que recebo. É um grande prazer e satisfação poder levar um pouco da arte da arquitetura e do urbanismo para vocês. Continuem participando!

O tema de hoje diz respeito a todos – calçadas. Queira você tenha seu próprio automóvel em certos momentos você também é pedestre.

Essa matéria também é homenagem ao Nielligton Marques, que aos 28 anos perdeu a vida quando seu quadriciclo se chocou contra um ônibus em Macaé. Ele era cadeirante e atuava no Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência em Macaé. Assim como o Nielligton, tantas outras pessoas enfrentam desafios diários para poder simplesmente usar as cidades. A missão como arquitetos e urbanistas é antes de tudo primar por projetos que zelam pela acessibilidade, e além disso, cobrar que isso seja tirado do papel. Para muitos gestores públicos ou empreendedores pode se tratar de um inconveniente... rampas tomam mais espaço que escadas, elevadores hidráulicos podem ser caros, um piso adequado é mais caro do que outras “soluções”, mas essa visão precisa ser revista.

Não é incomum encontrar pessoas caminhando no meio da rua em Macaé. Calçadas estreitas, com grandes desníveis, não apenas em favelas, nas também em “pleno Centro”, mas isso não é apenas em Macaé.

Em 2002, assistindo a reportagens da Copa do Mundo no Japão e da Coreia do Sul, vi a uma que dizia respeito às calçadas no Japão e a seriedade como tratavam o assunto. Só para exemplificar essa seriedade as calçadas mostradas tinham um piso liso e outro levemente áspero, nisso, os japoneses estavam pensando nos dias chuvosos, onde o trecho áspero seria utilizado, evitando assim, quedas. Muito além do pensamento humanitário, isso se traduz em números da economia, quer dizer, no montante que é economizado por quedas que poderiam acontecer, provocando internações hospitalares.

Por definição de lei, as calçadas são de responsabilidade dos proprietários do terreno, obviamente, existem aspectos técnicos como a inclinação, rampa de acesso a veículos, tipos de piso que já são estipulados, mas quem segue?

Infelizmente, não apenas nisso, mas em tantos aspectos os arquitetos ficam à mercê do mercado, quer dizer, você tem propostas, mas os empreiteiros e clientes pensam em um primeiro momento no bolso e nisso os profissionais para não perder campo (mais do que já têm perdido) acabam cedendo, pois por mais que ele se recuse tem outros colegas que não o farão. Queremos mostrar que muitas coisas que são consideradas caras em um primeiro momento são recuperadas a curto e médio prazo, trazendo conforto, saúde e se tornando economia com o decorrer do tempo.

As calçadas da cidade são muito heterogêneas, em todos os aspectos ditos anteriormente, e isso reflete em questões pelas quais a cidade já enfrentou como enchentes; a calçada funciona nesse caso como um dique. E tudo vai se sobrepondo, as calçadas de hoje impedem por exemplo o uso de ônibus com piso rebaixado.

O que deve ser feito então para que haja um tratamento adequado quando se fala em calçadas. Em um primeiro momento é preciso revisar a legislação, o que temos fica muito solto para que as coisas aconteçam, e infelizmente isso por muitas vezes fica na mão de leigos. Temos alguns caminhos, mas eu citaria aqui esse: Estipular alguns padrões de materiais, alturas, larguras, enfim, tudo que tange calçadas e dispor como modelos, dessa forma as calçadas teriam poucas diferenciações, evitando uma grande poluição visual, facilitando uma integração, a acessibilidade, evitando assim os transtornos.

Como fazer isso acontecer? Não existe uma fórmula mágica para que isso aconteça. Em um primeiro lugar precisamos definir os critérios de onde planejamos chegar, ou seja, como deve ser o modelo das calçadas, em quanto tempo deve ser feita a transição na cidade; estabelecendo isso o próximo passo é fazer um mapeamento locais de maior circulação, lugares com problemas pontuais ou com necessidade de intervenções estruturais. A seguir, precisamos divulgar, criar campanhas de conscientização que tragam as pessoas para esse assunto. Das construções existentes por exemplo, a prefeitura poderia reduzir o IPTU do contribuinte durante certo tempo. Das novas construções, os projetos apresentados na prefeitura deveriam contar com plantas, não apenas de modo genérico, mas tal conforme será implantado.

Alguns materiais, belos inclusive como a pedra portuguesa não são acessíveis, a irregularidade da superfície pode causar acidentes, e, o local que exportou esse material para cá, Portugal, já faz revisões nas suas calçadas; as pedras passam a ser detalhes na calçada.

A acessibilidade deve atender a todos, deficientes físicos, idosos, gestantes. Recentemente estive lendo o livro Cidade para as pessoas, de um arquiteto dinamarquês chamado Jan Gehl, no livro Gehl compartilha entre outros aspectos questões que são negligenciadas e colocadas como secundárias, mas que tem um real e grande impacto na cidade, as calçadas estão também enfocadas neste livro, com estudos realizados mostrando o antes e o depois, um estudo comparativo, e nessa comparação se mostra por exemplo locais onde a via dos veículos era larga e a via dos pedestres estreitas, muitas pessoas deixavam de circular, melhor dizendo, de interagir com o espaço, de parar e ver as lojas, de contemplar, conversar, ou seja, uma “simples calçada” pode ter impacto direto no comércio, por exemplo.

Mas é isso, gente! Vamos ser autores e protagonistas das nossas cidades e não apenas espectadores!

Espero vocês na próxima edição. Forte abraço e boa semana!

Se tiverem dúvidas ou sugestões, mande um e-mail para contato.dimensaoarquitetura@gmail.com ou mande mensagem para 22 9 9907 8060.

 

Dimensão Arquitetura

Por Luis Paulo Guimarães

Agenda

+ eventos

Classificados

+ anúncios

1 comentário

Deixe o seu comentário
Digite as palavras abaixo: