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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura Por Luis Paulo Guimarães

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A importância do projeto de paisagismo

Publicado em 07/10/2017 sem comentários Comente!

Emblemático jardim criado por Burle Marx para o Edifício Gustavo Capenema no Centro do Rio é emblemático por ser pioneiro por estar sobre uma laje. Fonte: Jardins históricos brasileiros

Emblemático jardim criado por Burle Marx para o Edifício Gustavo Capenema no Centro do Rio é emblemático por ser pioneiro por estar sobre uma laje. Fonte: Jardins históricos brasileiros

Essa semana comemoramos o dia do paisagista, mais precisamente no dia 04 de outubro, justamente no mesmo dia do santo padroeiro dos animais e da natureza, São Francisco de Assis. Tido por muitos como “complementar” ou “acessório”, o paisagismo não é mero coadjuvante do ambiente quando pensamos em construção.

Assim como as construções em si, as cidades, o paisagismo é uma cadeira importante no curso de arquitetura e urbanismo. Apesar do Brasil ser um expoente do paisagismo, palco do trabalho de Burle Marx, o paisagismo não é uma profissão regulamentada.

O paisagismo busca aproximar a natureza, recriando-a e reproduzindo em dado espaço. Para se criar o paisagismo, também se faz necessário um projeto com essa finalidade. Em um dado momento será notado pelo projetista questões como a drenagem do solo, tipo de solo existente, pontos de água, trajetória solar, sombras causadas pela construção, possibilidade de infiltrações na construção, entre tantos outros fatores.

Um projeto de paisagismo não é mero acessório, o paisagista irá definir nele a quantidade de plantas, as espécies, o tipo de solo utilizado, a combinação de solos, fertilizantes, forrações, distanciamento entre plantios, porte das plantas e tantas outras questões que fazem a diferença quando o assunto são jardins.

Mas, afinal, pra quê jardim? Que tipo de jardim devo ter?

A atmosfera criada por um jardim pode recriar, ainda que em espaço urbano, condições para o relaxamento, para que a natureza preencha o exterior e seja um convite para encher de paz as casas, escritórios, e quaisquer outros ambientes. Quem não gostaria de chegar em casa depois de um dia exaustivo, sentar e relaxar ouvindo o som de uma fonte criando o som da chuva? Ou, quem não gostaria de ter o convívio de pássaros e borboletas? Parecem convites tentadores, né? E são! Mas não os únicos.

O paisagismo também pode recriar condições de microclima, ou seja, a temperatura local pode ser agradável em relação a outros lugares com as condições propiciadas. Em um primeiro momento, tem o aspecto visual, geralmente em lugares predominantemente quentes, como o Brasil, ao olhar o verde da paisagem já cria uma sensação de conforto. Espécies de plantas podem criar uma barreira para os raios solares mais incidentes naquela hora mais quente do dia, ou, ainda é possível utilizar lajes para se criar jardins. Esses jardins, nos conhecidos tetos verdes ajuda a reduzir em até 10 graus a temperatura em casa. Os tetos verdes ainda são aliados das cidades, uma vez que sua utilização contribui para evitar enchentes. A água da chuva que seria escoada para as ruas, passa para o sistema de captação do paisagismo, deixando o processo mais lento, dando tempo de que a água escoe sem causar enchentes. É preciso ter atenção, não basta apenas encher de plantas a laje, assim como qualquer outra situação do paisagismo, um projeto irá determinar os procedimentos. Executar o projeto de um teto verde sem o auxílio de um paisagista poderá causar infiltrações, ou mesmo o desabamento da laje. O projeto irá tratar de ver as condições atuais da laje em caso de reforma, ver os pontos de drenagem, escolher as espécies de plantas adequadas em função das raízes, tipo de proteção como a membrana geotêxtil, entre outros.

Para citar apenas mais uma vantagem no aspecto do paisagismo, a vegetação e demais elementos podem atuar como barreira acústica. Locais de muita circulação de veículos ou pessoas podem ser um inconveniente e, de acordo com algumas condições existentes ou criadas esse impacto pode ser diminuído.

O tipo de jardim que você deve ter vai nascer de uma conversa com você e o/a paisagista, um bom projeto irá levar em conta aspectos citados anteriormente e alguns outros aspectos.

Se você e as demais pessoas que ocupam a casa, escritório, não tiverem muito tempo para dar atenção às plantinhas, certamente não se optará por uma quantidade “infindável” de plantas e espécies que não requeiram tanta atenção como cactos, antúrio, espada de São Jorge.

Se você mora em um apartamento, por exemplo, e a questão é a falta de luz natural para as plantas, talvez você possa ter orquídeas, samambaias, zamioculcas, esta última então pode ficar em corredores com pouca luminosidade natural, as folhas tem um aspecto de cera em verde bem escuro. A espécie resiste inclusive a lugares com ar-condicionado.

Outra questão levada em consideração é o diálogo do paisagismo com os elementos construídos, com os gostos pessoais e com a mensagem que se quer passar. Um jardim japonês pode ser recriado com o uso de bambus, pedriscos, água, carpas...a ideia de um jardim japonês talvez seja parecer maior do que realmente é... enfim, se você não tem espaço também é possível utilizar alguns ou outros elementos, sintetizar as coisas. Este é um bom jardim para quem gosta da ideia Zen, de meditação, de relaxamento. Algumas plantas e flores utilizadas para o jardim japonês são a magnólia, pitospóros, Sakura, Buxinho e outras.

Quem não abre mão de algo clássico pode optar pelo jardim inglês ou francês. O jardim inglês prima por recriar o aspecto da natureza, obviamente como um controle, mas, quanto mais parecer igual a natureza melhor; já o projeto francês de paisagismo remete a linhas geométricas, tudo dentro de uma ordem.

O jardim inglês versa por grandes áreas gramadas e algumas formas curvas, como no relevo é valorizado. A ideia é ter a sensação de andar por um bosque antigo e natural, com pouca ou nenhuma intervenção do homem, então árvores mortas, rochedos, pequenas colinas, construção em ruinas são bem-vindos. Como vegetações que se sugerem temos a implantação de plantas esculturais, arbustos, grama-são-carlos, gerânio, jasmim, margaridas, lavandas, vitória-régia.

O jardim francês é o oposto ao inglês, visto que o domínio do homem se demonstra nas formas geométricas e no controle do jardim. O caminho da escola francesa é largo e bem definido. As pedras são pouco utilizadas, os caminhos são largos e bem definidos com cercas-vivas e arbustos. O jardim francês é considerado caro devido à alta necessidade de manutenção, visto que as podas devem ser frequentes. Como plantas sugeridas para este jardim estão a hera, o amor perfeito, a roseira, as tulipas, e outros.

O Brasil não fica para trás na sua mensagem. Aos passos de Burle Marx, o paisagismo nacional trás desenhos geométricos, não tão simétricos como o francês, e explora também o uso das cores (Burle Marx primava pelas cores inclusive em seus projetos) e muitas espécies tropicais daqui mesmo. A palmeira jerivá tem destaque. Lantanas são responsáveis por atrair borboletas, bromélias, patas de elefante também dão o r ecado.

Nem só de plantas são feitos os jardins, bancos, caramanchões, esculturas, pergolados, tipos diferentes de piso, pedriscos criam toda a atmosfera.

Por hoje é isso! Espero que tenham gostado. Até a próxima edição.

Dimensão Arquitetura

Por Luis Paulo Guimarães

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