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Panorama - Por Regina Oliveira

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GENERAL VILLAS BÔAS

Publicado em 21/09/2017 sem comentários Comente!

GENERAL VILLAS BÔAS DEU UM SHOW DE INTELIGÊNCIA AO PASSAR INCÓLUME NA ENTREVISTA AO VIVO DE PEDRO BIAL NA REDE GLOBO

Era clara a tentativa do jornalista Pedro Bial em desconcertar o General-de-Exército Eduardo Villas Bôas, Comandante Supremo do Exército Brasileiro, ao tentar levá-lo ao limite com questionamentos acerca das declarações polêmicas dadas pelo seu colega de farda, o General Mourão, e também com assuntos como o Regime Militar e a questão homossexual versus Forças Armadas. Mas o General foi muito inteligente, sobretudo político – um político do bem, dando um banho em nossos políticos de carreira e em todo o conceito errôneo que se formou em torno do que é de fato “ser político” –, ao responder com firmeza, sinceridade e verdade, embora visivelmente minimizando e conciliando ideias da melhor forma. O resultado foi uma entrevista descontraída e divertida, porém em certos momentos ficando evidente que o General devolveu a bola para Bial, e para a Globo, fazendo com que o jornalista preferisse mudar de assunto para evitar que fosse ao ar alguma declaração franca e contrária aos interesses da pauta.
É fato que Pedro Bial fez de tudo para tornar as declarações acerca de intervenção militar feitas pelo General Mourão uma monstruosidade, alegando que eram apologia à “ditadura”, forçando a barra até mesmo para que ficasse latente a ideia geral de que ele deveria ser punido por suas palavras. Mas ao ser questionado sobre isso, o General Villas Bôas aproveitou para tecer elogios ao General Mourão, e deixou bem claro que não era motivo para puni-lo, salientando que ele discursou em um evento fechado, que já conversou com ele internamente a respeito, e que suas palavras não representam a intenção do Exército e nem do Estado Maior das Forças Armadas. Foram incríveis as respostas dadas por Villas Bôas, quando se esperava das duas uma: ou o general iria titubear sendo demasiado politicamente correto, ou iria titubear falando além do que devia, se alinhando, neste caso, com o discurso de Mourão. Mas o general não titubeou! Quem titubeou, mesmo que disfarçando com sua maestria de raposa velha, foi o Pedro Bial! Bial, e a cúpula da Globo, perderam a batalha sutil, porém venenosa e ardilosa, com suas perguntas capciosas visando levar o jogo para o canto do tabuleiro e deixar o General Villas Bôas sem saída, algo que seria, sem sombra alguma de dúvida, uma forma da emissora desmoralizar as Forças Armadas, reafirmar seu poder de formar opinião, e se posicionar contra o reacionarismo que ultimamente tem tomado conta do brasileiro. Tudo isso foi frustrado pelo admirável autocontrole e a rara capacidade do grande General Villas Bôas em lidar com estes melindrosos assuntos. Mas o ponto máximo da entrevista foi quando Pedro Bial o questionou a respeito do “Golpe de 64” e da “Ditadura Militar”. O cauteloso General Villas Bôas respondeu logo se referindo a este período histórico como sendo “regime militar”, e não com o pejorativo termo “ditadura” das palavras tendenciosas e provocativas de Bial, o que deixou já de pronto o jornalista sem graça. Villas Bôas salientou que “é necessário entender aquele momento nas circunstâncias que haviam ali”, que “o mundo vivia o período da guerra fria, um período de intensa polarização de pensamento, e que levou a uma exigência da própria sociedade para que se fizesse uma intervenção”, destacando que “durante o governo militar o Brasil passou de 47ª para 8ª maior economia do mundo”. Chute no saco bem dado, e dado com coturnos, melhor do que este dificilmente foi dado na maniqueísta e pedante Globo desde Leonel Brizola! Ora, o que pensou Bial? Que o General Villas Bôas iria embalar no politicamente correto, corroborar a manipulação proposital que a esquerda fez com sua “Comissão da Verdade” para denegrir os militares, entrar para o coro dos escritores e historiadores omissos e covardes, que concordaria com a farsa que a própria Rede Globo empreende ao substituir verdades históricas por pré-conceitos como estes que vem lavando o cérebro das novas gerações a respeito do regime militar? O General felizmente não é um imbecil metido em um par de botas engraxadas! Muito pelo contrário, ele foi a mais indicada e melhor pessoa a estar ali naquele programa, para enfrentar e neutralizar o dissimulado ataque que a mídia mais poderosa do país pretendia impingir aos militares! Em determinados momentos, como este, o jornalista Pedro Bial foi forçado a mudar de assunto e a oferecer mais um pouco de chimarrão ao seu convidado, para tirar logo de foco um assunto que poderia se tornar sem saída para ele, e que consequentemente o poria em maus lençóis perante os escusos objetivos globais e seus executivos. É certo que para a emissora deve ter sido uma decepção assistir um de seus melhores jornalistas ser derrubado silenciosa e discretamente em cena, como um Rei levando cheque mate logo no início da partida. Devem ter apostado – e o próprio Bial em si mesmo – de que seria fácil, “fichinha”, conduzir o militar a entrar na deles e, talvez por medo, acabar falando tudo o que todos queriam ouvir... Mas não foi assim!
O General foi igualmente muito corajoso ao afirmar que, a respeito das ações militares no Rio de Janeiro, há uma incompreensão acerca do papel das Forças Armadas na presente situação! “Pressupõe-se que as Forças Armadas vão resolver o problema, e não é isso. Cabe às Forças Armadas criar o ambiente para que outros vetores do Estado atuem na comunidade. No Rio isto não está acontecendo; e se não ocorrer, podemos deixar o Exército a vida inteira que não vai adiantar!” Mas é evidente! Suas palavras calaram a boca dos que acusavam o Exército de ser ineficiente! Se não há educação, saúde, transportes, segurança, nada... como o Exército iria instaurar a ordem! Fuzilando todo mundo, bombardeando as favelas? Queriam era que o Exército pagasse o pato, se tornasse o bode expiatório de um problema social grave e criado ao longo dos anos pela incompetência administrativa e pela corrupção política do Estado!
Arrematando a controversa ideia da intervenção militar, acredito que intimamente o General Villas Bôas, assim como qualquer oficial de alta patente que se preze, do generalato ou não, está alinhado com as falas do General Mourão! A única diferença é que o Mourão quebrou o silêncio, não tem papas na língua, enquanto que o Villas Bôas sabe como lidar melhor com esta polêmica; afinal, em sua posição, qualquer vírgula em lugar errado pode causar uma tremenda turba nas ruas ou algo pior, sem precedentes. Por estas e por outras é que dou os meus parabéns a ele, por ter a sabedoria para atravessar todo este inferno sem se queimar, e ainda mantendo o respeito, o rigor e a dignidade de um verdadeiro militar!

 

Texto incrível escrito pelo meu amigo Alberto Murteira que é um grande mestre com as palavras

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