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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Parabéns pra você, nesta data querida... Felicidades Macaé!

Publicado em 29/07/2017 sem comentários Comente!

Vista aérea parcial da cidade de Macaé

Vista aérea parcial da cidade de Macaé

Olá meus amigos! Como vão? Então, na minha última publicação eu escrevi sobre o Forte Marechal Hermes, e lhes prometi sequencialmente escrever sobre outras edificações que contam a história da cidade, até chegarmos aos dias atuais e fazermos um parâmetro do que esperar do futuro da cidade.

Algumas coisas que colocamos em nosso cronograma nem sempre acontecem conforme gostaríamos. Além de outros compromissos profissionais, estive doente, minha madrasta também; e também perdi meu pet, minha cachorra de quase quinze anos, mas enfim, a jornada segue. Eu e minha madrasta já estamos melhor, e minha cachorra não está mais sofrendo, mas essas coisas mudaram a rotina.

Para não mudar o que estava previsto eu vou fazer um “pot-pourri”, falar um pouco de “prédios importantes” para a cidade, um pouco da sua história e também seu estado de conservação e uma preocupação. E também vou falar um pouco sobre o futuro, tanto nos termos de construções, tanto quanto nos termos da cidade em si.

Uma das características que se pode observar nas cidades é como ela trata seu patrimônio. Uma cidade que é bem organizada, que pensa em seu futuro não pode renegar o seu passado. O seu surgimento, as histórias das pessoas que por ali passaram e suas construções são patrimônio de todos e como patrimônio de todos deve estar preservado para que todos tenham o direito de conhecer. Uma cidade que pensa no futuro, não esquece o passado.

Macaé, apesar de figurar economicamente no cenário nacional mais recentemente, podemos assim dizer, olhando para trás, também carrega uma história.

Uma parcela dessa história pode ser contada pela Igreja de Santana, propriamente a sua construção é datada de 1896, mas em se retrata que em 1634 os Jesuítas estavam em Macaé e que tinham uma fazenda agrícola entre o rio Macaé e as proximidades do atual morro de Sant’Ana, que era conhecida como Fazenda de Macaé ou Fazenda do Sant’Anna. No alto do morro foi construído um colégio, uma capela e um pequeno cemitério, que guarda até hoje os restos mortais de alguns Jesuítas. Em 1759, a fazenda foi incorporada aos bens da coroa do desembargador João Cardoso de Menezes, nesta ocasião os Jesuítas foram expulsos do Brasil, imposição feita pelo Marques de Pombal. Conta a lenda que pescadores encontram numa das ilhas do arquipélago de Sant’Anna a imagem da santa que viria a nomear este. A imagem teria sido levada ao altar-mor da capela dos Jesuítas, desaparecendo misteriosamente no dia seguinte, a imagem foi encontrada dias depois, novamente na ilha e levada novamente à capela, tendo o enredo se repedido por outras duas vezes. Na terceira fuga concluíram que a santa tinha saudades da ilha, que era avistada desde o altar da capela, assim então, o templo foi refeito, voltando a fachada frontal para o ocidente, assim então a santa não poderia mais avistar a ilha onde habitava.

Outro local que carrega um pouco a história desta cidade, e que hoje é o Museu da Cidade, o museu, instalado no prédio de 1891, um chalé de estilo romântico, está assentado sobre um porão alto. A área social, à frente, maior; a de serviço, atrás, estreita e baixa. Obra do mestre português Manuel Ribeiro Capelão, do carpinteiro Affonso de Souza e do pintor Alfredo de Almeida. Construído a mando do coronel Bento de Araújo Pinheiro, foi, mais tarde, residência da família Mello e pólo cultural. Na restauração, em 2003, o madeiramento do forro da área social, tipo saia-e-camisa, foi tratado e preservado em sua maioria, o da área de serviço, tipo paulista, substituído; o barroteamento de sustentação do piso foi reforçado com pilaretes de concreto; os lambrequins dos beirais foram removidos e refeitos nas mesmas dimensões e nos mesmos detalhes de acabamento.

Tem tantos outros edifícios que retratam a história da cidade, que falar sobre cada um deles encheria várias edições, não que não o mereçam, mas por hora não é esse o contexto. A ideia de retratar um pouco esse passado é uma singela forma de homenagear a cidade, e evitar que coisas tristes aconteçam, como alguém que envelhece e perde a memória.

Uma página triste é o retrato que culminou com o colapso do Palácio dos Urubus, originalmente conhecido com Sobrado Ribeiro de Castro, a construção do ano de 1865, de projeto do arquiteto alemão Antonio Becher. A construção feita através de 16 escravos para ser a residência do comendador Manoel Pinto Ribeiro de Castro e sua esposa macaense, Dona Felizarda Alchimennna Pereira Rabello e Gavinho. A inauguração do prédio em 21 de janeiro de 1896 contou com a presença da célebre cantora lírica italiana Augusta Candiani. O palácio recebeu também ilustres visitantes como o Imperador Dom Pedro II, a Imperatriz D. Thereza Christina Maria, a Princesa D. Isabel e seu esposo Conde d’Eu. Em 1984 o prédio foi vendido ao advogado, político e delegado Emílio Francisco Caldas, e após a ocupação dos Caldas também vieram as famílias Rodrigues, Pinto e Vieira.

Em meados do século XX o lugar virou um cortiço. Tão logo veio o apodo “Palácio dos Urubus”, pois o matadouro por perto acercava estes animais do telhado da construção. Do Edifício tombado pelo INEPAC (Instituto Estatual do Patrimônio Cultural – RJ) só resta em pé a fachada e ainda assim, de forma lastimável, apoiada por escoras, ameaçando virar apenas escombros.

Outro patrimônio, o canal Macaé-Campos é o segundo maior canal do mundo, sendo superado apenas pelo canal de Suez. O canal corta a Macaé, passando por Carapebus, Quissamã e Campos. O canal se estendia por 106 quilômetros, com uma largura média de 15 metros. O projeto do canal é datado de 1837 e tem como autor o inglês John Henry Freese. A construção foi autorizada pela Assembleia Provincial do Rio de Janeiro em 19 de outubro daquele ano. O canal serviu para o escoamento de mercadorias e também transportou pessoas, tendo ciclos de transporte em que ainda em obras as pessoas eram remanejadas em carros de boi, até o período do uso de máquinas a vapor, em seu canal navegaram embarcações com 220 metros. Hoje, além da não utilização, visto o uso de outros modais de transporte, alguns trechos se encontram praticamente secos, devido a bloqueios e assoreamentos, alguns trechos urbanos estão poluídos e pontes ao longo do trecho impediriam a passagem, mesmo de pequenas embarcações. Não me alongando mais, já que o pot-pourri está ficando extenso, mas vale ressaltar que o transporte fluvial é ainda utilizado em diversas partes do mundo, obviamente está mais moderno. O transporte fluvial é capaz de transportar mais carga (e pessoas) que o transporte rodoviário (até vinte cinco vezes mais).

Talvez estejamos aqui daqui há dez anos, vinte, trinta, mas salvo alguma invenção daqui há 204 e quatro anos, quando Macaé completar 408 anos já não estaremos aqui. Muitas coisas terão acontecido no Brasil e no mundo, e as pessoas que por aqui estiverem vão ter a memória de quem e do que para lembrar. Muitas residências antigas da cidade viraram pó para ser tornar o chão árido de um estacionamento. Não digo que toda e qualquer imóvel antigo deva ser mantido, mas é preciso ter critério e debater. Hoje vemos por exemplo a antiga estação de trem de Glicério ruir diante de nossas vistas. Nem sempre uma edificação tem uma estética que chame a atenção para sua preservação, no entanto sua história, a importância dela para o local, as pessoas que por lá estiveram, garantem que todos possam ter maior detalhes sobre o que ocorreu e valorizar isso.

As histórias que uma cidade conta, a mensagem que ela passa para os seus habitantes e visitantes muitas vezes não é preservada, não apenas no aspecto de conservação dos imóveis, mas também por estes as vezes estarem encobertos por propagandas gigantescas.

Entre equilibrar-se e desequilibrar-se no cenário estadual e nacional, Macaé ganhou grande expressão a partir da instalação da base da Petrobrás. Durante esses anos pessoas de diversas pessoas do país e do exterior aportaram por aqui. A Princesinha do Atlântico foi crescendo, crescendo, talvez pudesse dizer que o conflito de adolescente pudesse ter assolado. Entre a maquiagem que adolescentes passam no rosto, a cidade ganhou novas roupagens, novos prédios, tal como o famigerado prédio de 10 andares, que ainda hoje serve como referência para dar indicações sobre perto e longe na cidade; o edifício da prefeitura que teve o envolvimento do arquiteto Oscar Niemeyer, o edifício de 1924 que é o Mercado de Peixes foi recauchutado com a participação do arquiteto Jaime Lerner, e tantos outros prédios pipocaram pelo litoral que fez surgir um movimento que pediu o sol na praia (em protesto ao gabarito que faria sombra à areia da praia).

São tantas histórias, cores, sabores, pessoas que falar sobre essa cidade poderia encher livros (como de fato já aconteceu). O paradigma do futuro, do trem moderno parado na estação, da favela, da violência, se alimenta de dias melhores com a esperança que sempre carrega o coração dos brasileiros, a cidade, trunfo de muitas conquistas para diversas pessoas que por aqui aportaram, deu sinais de cansaço, mas, do cansaço e da fatiga ressurge o reanimo. O que deve ser revisto para revigorar a cidade? Não são poucas as respostas. O certo é que devemos ser protagonistas de nossa história e da história do nosso chão, ainda que esse chão seja adotivo, para poder fazer valer aquilo que queremos de melhor. Um feliz aniversário Macaé!

 

Fontes pesquisadas: Site da prefeitura de Macaé, Wikepedia, Museus do Rio

  

Dimensão Arquitetura

Por Luis Paulo Guimarães

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