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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

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O Forte Marechal Hermes - Um olhar para o passado na nossa cidade

Publicado em 17/07/2017 1 comentário Comente!

Forte Marechal Hermes - Fonte: Mapa da Cultura do RJ

Forte Marechal Hermes - Fonte: Mapa da Cultura do RJ

Como vão meus caros? Estamos na proximidade de ver a nossa querida cidade de Macaé fazer seu 204º aniversário, e eu gostaria de trazer aqui um pouco daquilo do que é a história da cidade e também, olhar para o futuro. Hoje, e nas próximas edições vou lançar um olhar para a cidade e mais especialmente falar de algumas construções que ajudam a contar a história da princesinha do atlântico, antes mesmo de ser uma vila, e lançar um ponto para onde talvez possamos caminhar.

Antes de mais nada, gostaria de agradecer a colaboração da Memória Macaense, na figura do Rúben Pereira, que gentilmente contribuiu com o material utilizado para o texto que vocês acompanham agora.

Um dos lugares mais conhecidos atualmente na nossa cidade é o Forte Marechal Hermes, a história dele é retratada em duas versões; a primeira versão, não documentada, e mais antiga, remete à 1613. À época, três distintas tribos indígenas ocupavam a região compreendida entre Cabo Frio e a divisa com atual Estado do Espírito Santo. Os Tupinambás ocupavam a região de Macaé e os Goytacazes dominavam do Rio Macaé até o Rio Itabapoana.

Os Tamoios (da região de Cabo Frio) e os Tupinambás eram pacíficos, porém, não conviviam com os Goytacazes em virtude de eles serem ferozes canibais. Propriamente, à época de 1600, Macaé era um local inóspito, alagadiço e pantanoso e somente a partir do século seguinte que se descobriu uma passagem, onde hoje é o atual bairro da Glória.

Em 1630, os padres Jesuítas, sabendo da existência da concentração de índios Tamoios e Tupinambás, vieram para o local para civiliza-los, quando chegaram, encontraram já erigido o Forte Santo Antônio.

Antes da chegada deles, narra-se que a construção do Forte Santo Antônio do Monte Frio foi motivada pela necessidade de a Coroa Espanhola povoar a região, visto a intenção aventureira dos ingleses que tinham os últimos preparativos para invadir e estabelecer uma colônia entre o Espírito Santo e o Rio de Janeiro.

 O Governo Geral ordenou ao Capitão-Mor da Capitania de Cabo Frio, Constantino Meneslau a construção de uma fortificação para viabilizar o aldeamento à foz do rio Macaé. O forte Santo Antônio teve suas obras iniciadas em 1613 no saliente nordeste, no planalto que segue o morro, por isso chamado de Fortaleza, armando-a em cinco peças. Esta versão não está documenta, contudo, é dada por certa, visto que se retratava sobre a reconstrução da fortificação, já no século XVIII.

Em 1872 foi ordenada a reconstrução, não se tendo, todavia, a exatidão a ordem de quem mandou reconstruir a fortificação, se o Vice-Rei Conde da Cunha, ou Francisco de Castro Moraes, governador do Rio de Janeiro.

Antes da versão que se comprova através de documentos, pouco mais de quatro anos do enforcamento de Mota Coqueiro, que rogara uma praga diante da injusta condenação, em 19 de novembro de 1859 o forte foi desativado, bem como outras fortificações no Estado do Rio de Janeiro, visto que o Coronel-Reformado, e então Ministro de Guerra Sebastião do Rego Barros via como insatisfatórias as condições de defesa e muito onerosas para o tesouro nacional a conservação destes.

O primeiro novo forte, surge a toque do impulso causado pela construção do canal Macaé-Campos, bem como pela ferrovia ligando ambas cidades e a lavoura cafeeira dos distritos serranos, fazendo surgir um importante porto fluminense que seria palco de uma intensa agitação comercial no final do período imperial.

Em 1893 o presidente da República Marechal Floriano concluiu sobre a necessidade de se fortificar este reduto, tão próximo à capital.

Foram então iniciadas as obras de um semi-reduto, com cota de 22 metros, orçada aproximadamente em 828 contos de réis, entretanto, mais uma vez a cidade vê extinguir o vertiginoso crescimento econômico, a estrada férrea Leopoldina do trecho Rio Bonito – Macaé – Campos absorveu o transporte da região e o barateamento dos custos fez uma opção lógica aos produtores. O porto de Imbetiba entrou em declínio, tendo a licença alfandegária extinta em 1903. A obra do forte, onde se havia aplicado 231 contos, entre 1898 e 1900 teve suas obras suspensas em meados de 1900.

Em 1908, Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, na ocasião Ministro de Guerra, esteve na cidade por ocasião de uma das recepções semanais realizadas no Solar de Monte Elísio, residência do Coronel José de Lima Carneiro da Silva, neto de Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. Na ocasião ficou decidido, como consta em documento do arquivo do Distrito Federal que a família de Caxias doaria 30 contos de réis para a conclusão das obras, agora para a conclusão de um projeto mais reduzido do que o orçado originalmente. O governo, por sua vez, se comprometeu com mais 15 contos de réis.

Ainda em 1908 o Ministro da Guerra, Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca determinou a construção de uma bateria alta, no topo do morro Fortaleza, numa cota de 41 metros. Tal opção deveu-se à exiguidade de recursos para o melhoramento e bem assegurar a sua defesa.

Em 21 de dezembro de 1908, depois de locada a bateria alta no topo do morro pelo tenente-coronel de engenharia José Bevilacquia, as obras foram reiniciadas, dirigidas pelo capitão de engenharia Alberto Lavenére Wanderley. Em 13 de fevereiro de 1909, o primeiro-tenente Feliciano Sodré assumiu as obras até o seu término, com a instalação de quatro canhões Armstrong 152mm c/50 TR, montados em reparos Wavasseur.

O Forte foi inaugurado em 15 de abril de 1910 pelo então Ministro da Guerra, General José Bernardino Bormann, na presença do Marechal Hermes da Fonseca, Presidente da República e demais autoridades civis.

O Forte fica localizado na praia das Conchas ou praia do Forte, no bairro Imbetiba. A visitação, com autorização prévia ocorre aos sábados, domingos e feriados. Tel.: (22) 2772-4475.

Para redigir este artigo foram utilizados trechos do conteúdo do livro Histórias Curtas e Antigas de Macaé, do autor Antônio Alvarez Parada e também do livro Histórias e Lendas de Macaé, do autor Armando Borges.

 

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