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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura Por Luis Paulo Guimarães

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O papel da arquitetura em face a violência nos estádios de futebol

Publicado em 13/07/2017 sem comentários Comente!


"Torcedores" escalam o painel que separa o campo das arquibancadas para entrar em confronto com policiais. Fonte: O Globo

 

Hoje eu vou abordar um assunto que lamento ter que tocar, mas acho necessário refletirmos e impor aos responsáveis, medidas que impeçam atos deploráveis de acontecer. Explico: Estou me referindo ao 12º jogo do campeonato brasileiro, série A, entre Vasco da Gama e Flamengo, aliás, não me refiro ao jogo em si, senão a atitudes de violência por parte da “torcida do Vasco” após o jogo. O uso das aspas foi proposital, certo? Não posso comparar torcedores a pessoas sem caráter, que usam o esporte que é paixão nacional, para quebrar, ferir, matar, sob qualquer que seja o pretexto.

Para muitas pessoas é um absurdo admitir um clássico do futebol em um estádio como São Januário. Será mesmo? Vamos continuar e depois tiramos as nossas conclusões.

Não é de hoje que problemas graves acontecem no estádio. No dia 30 de janeiro de 2000, pela Copa João Havelange, que viria a ser o atual Campeonato Brasileiro o Vasco recebeu no segundo jogo da final o time do São Caetano. No primeiro jogo a partida ficou em 1 a 1, e a decisão ficou para São Januário, da mesma forma que agora, foi refutado o uso do Maracanã.

Aos 23 minutos de partida, uma confusão iniciada nas arquibancadas causou a queda de parte do alambrado, ferindo cerca de 150 pessoas, e 3 delas com gravidade. Após o trabalho de equipes médicas e mesmo de outros torcedores prestando ajuda, o então vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda queria que a partida tivesse continuidade, enquanto o presidente do São Caetano queria que fosse remarcada a partida. O impasse só chegou ao fim quando o então governador do Estado, Anthony Garotinho determinou que o jogo fosse interrompido e remarcado.

O futebol está marcado por tragédias, e muitas destas tragédias se associam ao espaço físico. Os Hooligans, vândalos do futebol inglês, atormentaram durante muitos anos as torcidas dos jogos por lá. Esses “torcedores”, há pouco mais de trinta anos, fizeram uma ação e causaram a exclusão de times ingleses, durante cinco anos das competições do continente europeu, isso devido a morte de 39 e o ferimento de outros 600 torcedores do Juventus, da Itália por “torcedores” do Liverpool, em um jogo disputado em Bruxelas, no estádio de Heysel. O triste capítulo provocado pelos hooligans teve cabo quando a frágil barreira que separava as torcidas foi arrancada, as barras de aço foram usadas como armas, e, não bastasse a truculência, diversas pessoas foram esmagadas no alambrado ao tentar escapar, e a pressão neste o fez desabar.

Para conter os arruaceiros, a primeira ministra britânica à época, Margareth Tacher, determinou uma forte repressão policial, grades pontiagudas, eletrificadas e com arame farpado no topo, porém, uma tragédia maior ainda do que a ocorrida no ano de 85 se passou no ano de 1989. Semifinal da Copa da Inglaterra, dezenas de torcedores do Liverpool forçavam a entrada pelos portões, a superlotação, aliada à falta de sinalização acabou por provocar 96 mortes de pessoas que foram esmagadas contra as grades que separavam o campo das arquibancadas.

Quanto ao estádio de Heysel, construído nos anos 20, do século passado, a manutenção deixava a desejar. Em 1985 a infraestrutura já estava em más condições. Na verdade, a final entre Liverpool e Juventus seria o último jogo antes da renovação do estádio. A parede exterior estava em tão mal estado que muitos adeptos abriram buracos na parede aos pontapés para aceder as arquibancadas. O estádio tinha mais torcedores do que o permitido, quando sua capacidade era para até 50 mil pessoas, 60 mil ingressaram o local, embora as autoridades tivessem o conhecimento de que havia mais ingressos do que a capacidade, nada foi feito para barrar, inclusive pessoas com ingressos falsos.

A partir destes acontecimentos, algumas medidas foram tomadas. O estádio de Heysel, que já recebeu até 65 mil pessoas, teve a capacidade reduzida para 48 mil. Desde então ficou estabelecida a exigência de torcedores sentados, isso acabou com a geral. Na época havia a divisão de torcidas e hoje há um bloco vazio para separação. Também mudou a forma de acesso ao estádio. Hoje existem duas barreiras para verificação de ingresso. É possível dar a volta no estádio e acessar as múltiplas entradas.

Será que as cenas de violência estão restritas à estádios mais antigos? As atuais arenas estão imunes à estas cenas? Não! Em um contexto maior ou menor, a violência também dá as caras nos novos estádios.

Em jogo válido pelas quartas de final do campeonato paulista, o Palmeiras recebeu em seu estádio (moderno e novo estádio), o time do São Bernardo. Aos 10 minutos de jogo o árbitro interrompeu a partida devido a fumaça provocada pelos sinalizadores; estes são proibidos pela federação paulista. Episódio semelhante já havia ocorrido com o Corinthians e causou a suspensão da Gaviões da Fiel, torcida organizada da equipe corintiana por 60 dias.

Os sinalizadores não são os únicos problemas nos novos estádios. Cenas de depredação e brigas acontecem dentro e fora dos estádios, de norte a sul do Brasil. O próprio Vasco teve “torcedores” entrando em choque com corintianos no Estádio Mané Garrincha, estádio utilizado para Copa do Mundo de 2014 em Brasília. Infelizmente, mudam os times, mudam os estádios e as cenas se repetem, causando prejuízo material e mesmo mortes.

O estádio do Vasco da Gama, localizado no bairro de mesmo nome (trecho de São Cristóvão) é bem localizado, fica em uma região central da cidade, nas imediações da Avenida Brasil, Linha Vermelha, há 15 minutos do Maracanã, Quinta da Boa Vista e de outras importantes vias de circulação da cidade. É servida por linhas de ônibus regulares e ônibus que fazem integração com Metrô e Trens. Nas imediações do estádio tem a favela da Barreira do Vasco, mas isso não torna mais ou menos perigoso o local, senão não veríamos cenas de violência em estádios em “áreas nobres”.

O estádio cruzmaltino, que hoje tem a capacidade para 21.880 pessoas e foi eleito pelo canal Travel Chanel um dos melhores estádios do mundo para se assistir uma partida de futebol.

O estádio tem passado por melhorias que visam maior conforto aos torcedores e deverá ter sua capacidade ampliada.

Analisando os casos ocorridos e fazendo uma contextualização entre estádios modernos e antigos, não restam dúvidas que a segurança dos espectadores deve estar resguardada pela segurança física dos estádios, respeitando as normas impostas. Distanciamento dos assentos, larguras para circulação adequadas, barreiras anti-esmagamento, entradas e saídas bem distribuídas, sinalizadas e com tamanho adequado são algumas das medidas preventivas que previnem tragédias maiores decorrentes de brigas.

Sobretudo, apenas isso não basta, se faz necessário ter um rigor maior do controle daqueles que ingressam as partidas, ou seja, precisa haver identificação, não apenas isso, mas também monitorar através de câmeras, aumento do policiamento, são algumas ações capazes de prevenir ações deturpadas daqueles que se dizem torcedores.

E por último, de nada adianta ter estádios com boa infraestrutura, com bom monitoramento e manter a impunidade. Os pseudo torcedores pagam um preço muito baixo e acham que vale a pena continuar agindo impunimente.

Antes que você possa pensar que estou falando contra o Vasco por causa de algum revanchismo, primeiro, não estou falando contra o Vasco, senão das cenas lamentáveis ocorridas no sábado passado, tampouco tenho alguma revanche contra o clube, muito pelo contrário, eu sou torcedor cruzmaltino, e, embora ache que o time acabe sendo prejudicado por mandar os jogos fora do seu estádio ou com os portões fechados ao público, eu acho mais ainda que os responsáveis devam ser punidos, sejam eles quem forem.

Consultas: Wikipedia, Globo Esporte, Uol Esportes, O Globo, BBC Brasil.

 

 

 

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