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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

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Bons ventos te trazem. Terminal Portuário de Macaé e o pacto para uma nova cidade

Publicado em 13/05/2017 sem comentários Comente!

Proposta do futuro porto de Macaé no bairro Barreto. Foto: divulgação

Proposta do futuro porto de Macaé no bairro Barreto. Foto: divulgação

 

Olá meus queridos! Essa semana uma notícia movimentou as redes sociais e diversos veículos de comunicação. O tão esperado Porto no Barreto teve um capítulo importante rumo a sua construção, o prefeito Dr. Aluízio assinou o decreto que revê o limite de proximidade com a ilha de Sant’Ana, item que estava sendo impeditivo para a implantação. Ora ainda resta a revisão do uso da ocupação do solo. O porto que é odiado por várias pessoas que alegam a degradação do meio-ambiente, como a certa proximidade com a restinga de Jurubatiba, é um alento para milhares de trabalhadores da cidade, bem como para as empresas que já fizeram grandes investimentos nestes últimos anos.

  Afinal, que o que espera o futuro de Macaé? Bom, você não está na coluna errada não e nem eu passei a escrever outro assunto. O urbanismo não é meramente um complemento do curso de arquitetura, ele é co-protagonista. Nunca falamos tanto no futuro de nossas cidades, e esse é o motivo desta matéria hoje.

A nem tão jovem cidade de Macaé, palco de atos importantes no cenário nacional e berço de exponentes teve sua evidência no país e no mundo a partir da exploração do petróleo pela Petrobrás na década de 70,  passado por um “boom” no final da década de 90 com a abertura ao mercado estrangeiro, diversas empresas multinacionais se instalaram e consequentemente muitos empregos foram criados. Macaé é um oásis de pessoas de diversos lugares do Brasil e do mundo, uma colcha de retalhos que traz muitos sotaques, sabores, cultura diversificada. A cidade conhecida como “princesinha do Atlântico”, passou a ser conhecida como “capital nacional do petróleo”. A pequena cidade pesqueira passou de seus poucos mais de 50 mil habitantes na década de 70 para os atuais 240 mil habitantes. Mas, será que o petróleo trouxe desenvolvimento (apenas)? O que é perceptível na cidade?

Atualmente estamos passando por uma grande turbulência. A tempestade nos acertou em cheio – preços das commodities de petróleo no mercado internacional que haviam diminuido e um custo de produção elevado, a concorrência com a extração de países que tem uma qualidade melhor no petróleo extraído, a corrupção no Brasil, fomentaram um cenário assombroso, milhares de demissões e a incerteza do futuro. Quais seriam as condições para a cidade crescer novamente?

Antes de responder essa questão devemos parar e refletir aquilo que deu certo e ver os erros que aconteceram para que possamos acertar.

Em primeiro lugar, temos que mirar um futuro onde não somente a cadeia do petróleo seja o sustento da cidade. Devemos ampliar o nosso parque produtivo, outras unidades fabris que não apenas do petróleo e gás, setores como o turismo de lazer, agronegócio, e outros podem diversificar a economia e ter uma alternativa para esse mercado, muitas vezes volátil.

Falando em termos de cidade como um todo, aí sim, também entra o papel do arquiteto e urbanista. Vemos na prática que Macaé, assim como grande parte das cidades brasileiras não prima pelo planejamento urbano. A cidade cresceu sem planejamento, e isso é perfeitamente nítido.

A rigor podemos traçar dois lados de Macaé, o do lado do centro da cidade, mais abastado, onde está a parcela rica da cidade e o segundo distrito, a porção mais pobre, separados por um rio. Não que o lado mais rico seja somente riquezas, e, não que essas riquezas sejam traduzidas em qualidade, quanto ao aspecto urbano.

Macaé deve rever a sua mobilidade urbana e isso não quer dizer apenas implantar ciclofaixas ou ciclovias a todo o custo, obviamente isso tem (e muito) sua importância, mas a diversificação do transporte de massa e sua eficiência são os caminhos naturais das cidades ao redor do mundo, um apelo para a qualidade de vida. Na última década tivemos a experiência do ônibus que poderia transportar até 160 pessoas que sucumbiu diante dos primeiros testes, o raio de giro das ruas estreitas. Também temos duas composições de VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) que estão paradas diante da estação no centro, que nunca estiveram em atividade para o público, por que não temos estações próprias para seu uso, e também por que os trilhos existentes não são para esse tipo de composição.

É um suplício para milhares de pessoas que se deslocam no único meio de transporte em massa. Os ônibus, sem ar condicionado percorrem por rotas questionáveis, que parecem não ser exatamente a melhor solução para a rapidez e nem mesmo para a empresa, que aumenta o deslocamento e consequentemente os gastos. Aliás, segundo o próprio boletim da mobilidade urbana do município, os ônibus circulam em sua grande maioria com rotas com mais de 10km de extensão, com linhas em trajetos urbanos que passam de 30km. Óbvio que toda cidade deve ser atendida, porém talvez isso deva ser feito de forma mais racional. Um bilhete que permite que o passageiro pague a passagem, desembarque onde lhe for mais conveniente e embarque em uma linha que leve ao destino final, isso em qualquer lugar da cidade parede mais eficiente do que concentrar linhas que se destinam a terminais, com isso você é capaz de criar rotas racionais, diminuir as circulações e evitar congestionamentos como os que ocorrem no terminal central, por exemplo. Não entrando no mérito de se a cidade precisa ou não de outras empresas de ônibus, devemos aumentar os modais de circulação; dar um destino para o VLT. Seria sim interessante ter o VLT e integra-lo a circulação dos ônibus. Por que não utilizarmos também o transporte marítimo e fluvial? Um modal como uma barca é capaz de transportar 25 vezes mais do que um ônibus.

Não apenas os meios de transportes devem ser revistos nessa Macaé que queremos. Coisas que podem parecer banais como calçadas apropriadas tem em si uma grande importância, certamente muitas internações poderiam deixar de acontecer por tombos em calçadas irregulares, e a cidade seria mais acessível para aqueles que tem maiores dificuldades de locomoção.

Outro ponto importante a ser tratado é como a cidade vai resolver a questão das suas favelas. É preciso que as pessoas vivam em um ambiente digno, que lhes proporcione o bem-estar, a saúde, e isso não significa construir conjuntos habitacionais em lugares distantes.

Claro, que existem bons legados nestes anos que a cidade esteve a todo pique. O sistema de macrodrenagem, a reformulação do aeroporto e o saneamento básico estão entre pontos que podem ser destacados que ajudam a vida de diversas pessoas e certamente a cidade de Macaé.

Há muito por ser feito. Não temos nada garantido. É preciso se pensar fora da caixa. Ser proativo. Há uns seis meses, mais ou menos, um empresário confidenciou que ele e um grupo de investidores estavam desanimados em fazer um empreendimento em Macaé. O mesmo grupo estava focado em realizar um empreendimento maior, que proporcionalmente investiriam menos e teriam maior lucro em uma cidade da baixada fluminense, do que aqui. Ao passo que por lá eles conseguiram agilidade, fazer todos os trâmites em quatro meses, por aqui já fazia mais de um ano e nada.

Macaé tem neste porto uma chance de um novo estopim, para um recomeço, tem a chance de criar uma cidade de qualidade de vida para todos, mas precisa agir rápido. A sombra do porto Macaé está o poderoso porto de São João da Barra, somente para dizer que não tem nenhum lugar de brincadeira.

Teremos em breve a Feira Brasil Offshore, no ano onde haverá o primeiro leilão de exploração da camada pré-sal de do petróleo, e esses leilões devem ocorrer até 2020. Ter a infraestrutura da cidade preparada para atender essa demanda é condição crucial para a continuidade dos investimentos.

Que esta vindoura Macaé chegue com a participação de todos trazendo muitos frutos.

 

 

 

 

 

 

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