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Café Noturno - Por Marianna Mariano

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Amor bandido

Publicado em 31/01/2017 sem comentários Comente!

Querido amor bandido,

Adeus é uma das últimas palavras que quero lhe dizer, mas, observando os últimos acontecimentos e a avalanche de pensamentos que me dominam e me afetam, os quais atingem o ápice do pessimismo e da paranóia, creio que há algumas pedras na garganta difíceis de deglutir. Não é tão fácil tossir e jogá-las em cima da mesa. As pedras que ali estão se tornarão menores com o passar do tempo e vão se infiltrar nas paredes do meu ser. O que parecia ser uma bala azeda, em que o gosto logo desapareceria depois de engolida, era uma goma de mascar que encontrou um lugar fixo, cujos efeitos colaterais estão se agravando com o passar do tempo.

Você é o maior dos meus pecados, o que eu mais temia, a minha pior luxúria, o ápice das minhas fantasias. Tudo o que imaginava sobre um desejo proibido, na totalidade de um amor intenso e quase fatal, fora realizado de maneira rápida, brusca e apaixonante. Quando que nessa vida eu iria imaginar que um pecado dos sonhos mais loucos, intrigantes e pecaminosos seria real, de carne e osso, pele macia, boca carnuda e voz sedutora. O meu projeto de amor improvável veio num molde de homem impossível que, ao ultrapassar as expectativas, fez de mim cobaia da minha própria experiência fictícia. Mas não era mais ficção. Me vi ali, em pausa, imóvel, porém com a mente atordoada de não saber o que fazer. De tanto pensar, enlouqueci. Para não enlouquecer mais dei a cara a tapa e fui no ditado comum sobre deixar a vida levar. E deixei. Paguei para ver. E recebi. Recebi a aura de uma vida sem defeitos, cor de rosa e brilhantes, saborosa como o chocolate, alucinante como o álcool, vermelha como o amor sem limites.

Aí é que está o problema. No amor verdadeiro há limites. Amar sem limites é bonito em livros, desenhos animados e filmes. Na vida real, o amante mais apaixonado vai amar o teu diamante com o maior dos amores, nem antes computado ou escrito, só que haverá limites. Há o limite próprio, o limite do outro, o limite de ambos. O limite psicológico, o limite físico, o financeiro, o espacial. E tudo isso é regido por algo que, se não está presente, não é amor: o respeito. Mesmo nas paixões mais avassaladoras e nos amores à primeira vista, o respeito, acima de tudo, é o que irá diagnosticar e efetivar o amor na relação. É possível, sim, amar, apesar de tudo e de todas as maneiras, mas é preciso respeitar a vida, a história, as opiniões, os defeitos, as qualidades, a família, os amigos, o passado, as tradições, a cultura, as condições, própria e de ambos. Se de alguma maneira não houve respeito em algumas dessas instâncias, então não há amor. Ou há, mas não é o amor em sua qualidade mais pura e perfeita. Mas um sentimento cor tesão que, apesar de todas as qualidades de carinho e afeto, está atrelado à ganância, possessividade e cegueira. O amor, por si só, puro e genuíno, não se pede nem é imposto, não se dissolve ou cresce do nada. Ele é construído a partir de pequenas ações mútuas de companheirismo e confiança. Numa relação em que há mais baixos que altos, onde a desconfiança e obsessão imperam, pela força que uma injusta acusação tem, tudo pode vir a ruir em pouco tempo.

Isso não é uma despedida. Apenas uma maneira de fazer com que essa mente atordoada fique menos embolorada com a escrita desses parágrafos. Ainda gosto de você e estou contigo. Mas, como reitera a vida, nada é para sempre. E que seja pra sempre enquanto durar. Que dure com respeito e muita força para conseguirmos superar tudo. Caso não, que fique meu agradecimento por tudo o que passamos, pois mesmo que tenha sido uma escolha errada por estar encantada com a fantasia interna realizada, todas as escolhas não são feitas por acaso. Aprendi e vou continuar a aprender. Desde já, és a experiência mais intensa e breve que já vivenciei, em todos os sentidos. E, se um dia acabar, tenha a certeza que te terei como um exemplo, o qual nunca mais eu quero seguir, mesmo que tenha sido bom, mas que não me fez bem.

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