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Acosta - Por Lourdes Acosta

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É tempo de guerra ao mosquito e todo o cuidado é pouco

Publicado em 25/01/2017 sem comentários Comente!


Estamos em guerra. O Brasil enfrenta tríplice epidemia do zika vírus, dengue e febre amarela e chikungunya. O vetor de transmissão comum entre essas doenças é o mosquito Aedes aegypti.

Até o último mês de dezembro, o país registrou mais de 200 mil casos prováveis de Zika, o que representa uma taxa de incidência de 103,6 casos a cada 100 mil habitantes. Foram confirmados laboratorialmente, em 2016, seis óbitos por vírus Zika. Em relação à dengue, foram notificados 1.487.673 casos e 906 mortes. Também houve registro de 263.598 casos prováveis de chikungunya e 159 óbitos pela doença.

No passado foi a febre amarela, que matou milhares de brasileiros em epidemias. Depois foi a dengue, que só em 2015 afetou mais de 1,5 milhão de pessoas no país. Recentemente, duas outras doenças se uniram à lista: chikungunya e zika. Todas são transmitidas pelo mesmo vetor: o Aedes aegypti. Mas por que esse mosquito se tornou uma ameaça tão grande? Por que ele é tão eficiente como transmissor de doenças?

A opinião unânime de especialistas é que parte disso tem a ver com o próprio processo evolutivo, no qual os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela se adaptaram bem ao organismo do Aedes aegypti e vice-versa. Essa espécie de mosquito se tornou muito suscetível a eles, ou seja, seu organismo oferece as condições adequadas para que eles se instalem.

Mas há outros fatores que tornam o Aedes aegypti mais perigoso, disseminado e difícil de ser erradicado. Um deles é a convivência com o homem. O mosquito se prolifera em áreas urbanas, especialmente, naquelas com grande densidade populacional, ou seja, muita gente vivendo em pouco espaço. Tornam-se insetos domiciliados, que preferem viver em ambientes internos, como o interior de casas e outras construções. Convivem com os seres humanos, ao mesmo tempo em que ficam protegidos das condições climáticas, o que favorece sua sobrevivência.

Aedes aegypti tem preferência pelo sangue de mamíferos, especialmente o de seres humanos. Mesmo na presença de outros animais, é o homem que ele vai preferir picar. Sua picada é indolor, pois o Aedes tem um anestésico na saliva, o que dificulta que a pessoa perceba quando está sendo picada. Quando você mata o inseto e ele explode, cheio de sangue é que se vê que ele já picou.

Outro fator é sua alimentação de dia e à noite. O Aedes pica mais de dia, mas pode se alimentar à noite na presença de luz artificial, diferentemente de outros mosquitos, que só picam durante o dia ou durante a noite. Na verdade, ele tem hábitos diurnos, mas com a presença de luz artificial, pode picar à noite também. A variabilidade genética também conta. Uma pesquisa recente do Instituto Butantã mostrou que o Aedes aegypti possui patrimônio genético muito rico e variável. Isso significa que eles têm um grande potencial para evoluir rapidamente e adaptar-se às adversidades.

A multiplicação dos ovos é outro agravante. Cada fêmea de Aedes é capaz de botar até 100 ovos de uma vez e ela faz isso a cada cinco dias – o tempo de vida médio de um mosquito é em torno de 40 dias em laboratório e 20 na natureza. Se os ovos estão distribuídos por diversos criadouros, aumenta a chance de sobrevivência e ajuda na dispersão da espécie. Além disso, a fêmea contaminada tem a capacidade de transmitir os vírus aos ovos, ou seja, os mosquitos já nascem infectados. Isso multiplica as chances de propagação.

A grande quantidade de criadouros também favorece a propagação do Aedes. De caixas d’água a vasos de plantas, de pneus a tampinhas de garrafa, qualquer lugar com água parada pode servir para a fêmea botar os ovos. Por isso, é tão importante eliminar ou fechar o acesso a esses recipientes.

Neste verão, período quente e chuvoso, o brasileiro deve redobrar os cuidados com a limpeza de caixas d’água, piscinas, calhas de telhados, pratos de vasos de plantas. É preciso cuidado também com os quintais das casas para não amontoar lixo com sacos plásticos, garrafas, pneus ou qualquer outro objeto que possa acumular água da chuva. O alerta vale, inclusive, para as pessoas que vão viajar e deixar os imóveis fechados nesse período. Isso porque, qualquer recipiente com água, mesmo que em pequena quantidade, pode virar um criadouro do mosquito transmissor da dengue, Zika e chikungunya num curto período de tempo.

Em Macaé, cidade do norte fluminense, uma iniciativa para detectar os possíveis criadouros começou a ser feita nesta semana pela prefeitura, através do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Com a ajuda de um drone (veículo aéreo, não tripulado e controlado remotamente que pode realizar inúmeras tarefas) o mapeamento dos possíveis focos do mosquito Aedes aegypti está sendo realizado em bairros com a parceria com a empresa DM Photography, que fornece o equipamento, possibilitando que o planejamento das ações seja mais completo, pois os agentes de combates a endemias terão uma visão global do que deve ser combatido.

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Jornalista Lourdes Acosta com assessoria.

Macaé, 25/01/2017.

Acosta

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